segunda-feira, 12 de março de 2012

Em "... Understanding internacional conflicts" Nye e Welch nos apresentam um panorama do cenário internacional atual; suas mudanças, continuidades e apostas futuras. 
 
Com os avanços tecnológicos, hoje é mais fácil percorrer longas distancias, estabelecer contato e trocar informações. Assim, surgem novas questões para politica internacional, pois lugares que antes eram periféricos, passam a ter relevância para o mundo.

Além disso, essa maior conexão trouxe novos problemas globais: a questão nuclear, o aquecimento global, a AiDS. São problemas que não dependem apenas da politica doméstica de um Estado para serem solucionados, é necessário um esforço coletivo das nações. 

Desse modo, há mudanças na forma de organização dos Estados na cena internacional, por mais que estejamos muito longes da criação de um Estado internacional unificado – pelo contrário, aliás: cada vez mais surgem movimentos separatistas – o sistema internacional deixou de ser anárquico e hoje há a forte presença de organismos internacionais.
Bruce Russet no capitulo "Relations Between States: Power and Influence" do seu livro "World Politics: Menu for Choice" define poder como habilidade de superação e influência. Se tratando de politica internacional, um Estado é considerado poderoso a medida que suas relações, diretas ou indiretas, com outros Estados exercem influências no comportamento desses.

Para analisar essas relações há diferentes formas de visão; uma delas é a realista. Hans Morgenthau, importante autor entre os realistas, entende que em um sistema internacional anárquico há uma constante disputa de poder e dominação entre os Estados, essa disputa caracterizada pelo uso de recursos militares.

Há uma critica, no entanto, ao foco exagerado na interpretação do poder baseado apenas em força. Alguns paises que são importantes agentes no cenário internacional, como o Japão, não tem grandes investimentos em recursos militares. Estados tem choques de interesses e entram em conflitlos, mas existem outras maneiras de resolver que não sejam apenas o uso da força.

Através de influência diplomática, um Estado pode convencer outro a não tomar uma posição que ele não tomaria de forma espontânea, ambos podem entrar num acordo de beneficio mutuo. Além disso, há a possibilidade de se influênciar quais os temas que serão discutidos internacionalmente. Essas são formas de poder conhecidas como soft power, que se caracteriza pela influência através da atração (estabelecendo boas relações com os outros Estados, afim de realizar trocas de favores), ao contrário de hard power que é o uso de força.

Mas para que essa influência não coercitiva seja efetiva, é necessário que se mantenha uma boa reputação perante os outros agentes internacionais. Algumas caracteristicas nacionais são importantes para manter essa reputação. Aspectos populacionais e geográficos são primordiais para influênciar esse quadro, além de indicativos economicos. O poderio militar também é decisivo, e é medido desde 1945, pelo arsenal nuclear de um pai's.

domingo, 11 de março de 2012

Exercicio 1: Discuta a noção de poder expressa no texto de Thomas Hobbes listado abaixo. (Cap Xiii - O Leviatã)

"Da condição natural da humanidade relativamente a sua felicidade e miséria"

Segundo Hobbes, a natureza faz os homens iguais nos aspectos fisicos e espirituais. Dessa igualdade surge a igual vaidade de se julgar melhor que os outros homens e a esperança de alcançarmos nossos fins.

Desse modo, se dois ou mais homens compartilham um mesmo objetivo final que não pode ser alcançado por todos num mesmo tempo, cada um acreditando ser mais poderoso que o outro, entrarão em conflito.

Se o conflito se inicia visando a conquista de um bem, ele é continuado pela desconfiança de que haja outro ataque e, posteriormente, pela necessidade de se manter uma reputação. O conflito se torna permanente e generalizado: "uma guerra de todos os homens contra todos os homens".

Nesse estado de guerra permanente não há espaço pra o desenvolvimeto, pois não existe estabilidade. A sociedade se estagna e a vida do homem resume-se em lutar contra outros para conservar sua própria existência solitária e embrutecida.

Para conquistar a paz, possibilitando o fim dos medos que aflingem os homens e o desenvolvimento da sociedade, é necessário que se admita um dominio comum sobre todos. É necessário abrir mão da igualdade natural de todos para que exista uma ordem na sociedade.

O poder, pela concepção de Hobbes, está relacionado com a desigualdade de capacidades. Pois em um estado onde todos são iguais todos se julgarão mais capazes que os outros, nunca aceitando uma autoridade e gerando conflitos permanentes.

Sendo impossivel a existência pacifica dos homens no seu estado natural de igualdade, eles devem abdicar dessa e se submeterem a um dominio que os forçará a ordem e paz.


(HOBBES, Thomas. O Leviatã, cap xiii  SP ED)